Há dias assim!
Daqueles em que os pensamentos embatem constantemente
em nós. Pensamentos que nos obrigam a ponderar meticulosamente cada palavra que
pensamos usar no que temos para dizer. E na hora exata se ocultam. De que vale
então o desgaste do ensaio? Afinal o que acabamos por dizer em nada se compara ao
ensaio antecipadamente definido pelo pensamento.
Há dias assim, em que persiste o silêncio, em que o longe se distancia
teimosamente, em que alguém não compreende as nossas palavras, em que nos perdemos
na busca de nós próprios.
Há dias assim, e desejas ter as
asas de uma borboleta, a varinha de condão de uma fada, e construíres a tua
história. Com ou sem castelo.
Há dias assim, em que aprendes a crescer um pouco mais, para que não
te acuses de falhar no tempo que perdeste, na busca do que não valia a pena. Há
dias assim, daqueles que trazem em nós, a certeza de não querermos mais a
metade, a fuga à verdade, a quebra da confiança, o despego dos pequenos
detalhes, o falso filantropismo. Viesse o consentimento até nós, permitir-nos a
troca de dias assim, por dias de sorrisos abertos, verdades cristalinas, trocas
despretensiosas, palavras descomplicadas, gestos ainda que infantis,
verdadeiros e puros.
Mas ainda assim, haveria dias de silêncios, de falhas, de recusas, de
incertezas, de inconsciência absurda, dias que embaraçam os pensamentos. E os
pensamentos constroem enxovias, para nos (des)protegerem.
Há dias assim!
14/11/2015

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