Os braços levantados em sinal de vida, tantas vezes pendentes, pela
força da desilusão, da dor, do destino. Busco a cada dia aquilo que ainda não
achei, e se dias houve em que encontrei, esgueirou-se, com ou sem
consentimento. Fiquei à espera que o desassossego me levantasse, mas ele
deixou-me prostrada, ainda com menos forças.
Todos os que me olham como se avistassem o muro de Berlim ou a Muralha
da china, lembrai-vos que o muro um dia caiu, a muralha ainda lá está, mas não
é já a mesma, sofreu alterações, com o passar do tempo. A todos aqueles que me
olham de soslaio, julgando-me débil, desenganem-se, a minha debilidade, é só
feita de cansaço, de repleção de más intenções, de iniquidades, de maldades, de
um destino que por vezes é demasiado castigador das intenções.
Não quero de vós lamentos obsoletos, quero contemplação quando eu,
depois de cair, me levantar. Dizei então que também eu, mesmo perdendo um
conflito, não desisti da contenda, não virei as costas às arduidades. Dizei que
cai, sim cai, não só uma vez, todavia levantei-me, não sempre com a mesma
segurança e coragem, quantas vezes agarrada só a mim, muitas outras, à força
que vem dos distintos acompanhantes que a vida tem colocado ao meu lado. Alguns
limitam-se presenciar de camarote, de seguida partem, não deixam lembranças,
saem da minha história, para céu-aberto da minha alma. Não lamento estas
perdas, sinto que deixam um lugar para ser ocupado, por criadores de
sentimentos melhores.
Faço o meu caminho de tropeções, quedas, de feridas, de sangue, para
depois as curar. Se ficam cicatrizes, são as testemunhas da coragem que habita
em mim. Quando as olho, percebo que também para mim, um dia se fez luz, mesmo
que antes tivesse sido escuridão.
Não sei acreditar sempre, não o quero, desejo continuar a duvidar,
para depois descobrir por mim, aquilo em que preciso ou não de acreditar. Se
cair no fundo do precipício, agarrar-me-ei a mim, subirei pela minha força, firme
ou vacilante, quando conseguir, perceberei que também os criadores de
sentimentos melhores estavam lá a espicaçar-me, a ralhar, a resmungar, para
depois me sorrirem.
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