sábado, 2 de julho de 2016

Apenas um esboço…mim



Os braços levantados em sinal de vida, tantas vezes pendentes, pela força da desilusão, da dor, do destino. Busco a cada dia aquilo que ainda não achei, e se dias houve em que encontrei, esgueirou-se, com ou sem consentimento. Fiquei à espera que o desassossego me levantasse, mas ele deixou-me prostrada, ainda com menos forças.
Todos os que me olham como se avistassem o muro de Berlim ou a Muralha da china, lembrai-vos que o muro um dia caiu, a muralha ainda lá está, mas não é já a mesma, sofreu alterações, com o passar do tempo. A todos aqueles que me olham de soslaio, julgando-me débil, desenganem-se, a minha debilidade, é só feita de cansaço, de repleção de más intenções, de iniquidades, de maldades, de um destino que por vezes é demasiado castigador das intenções.
Não quero de vós lamentos obsoletos, quero contemplação quando eu, depois de cair, me levantar. Dizei então que também eu, mesmo perdendo um conflito, não desisti da contenda, não virei as costas às arduidades. Dizei que cai, sim cai, não só uma vez, todavia levantei-me, não sempre com a mesma segurança e coragem, quantas vezes agarrada só a mim, muitas outras, à força que vem dos distintos acompanhantes que a vida tem colocado ao meu lado. Alguns limitam-se presenciar de camarote, de seguida partem, não deixam lembranças, saem da minha história, para céu-aberto da minha alma. Não lamento estas perdas, sinto que deixam um lugar para ser ocupado, por criadores de sentimentos melhores.
Faço o meu caminho de tropeções, quedas, de feridas, de sangue, para depois as curar. Se ficam cicatrizes, são as testemunhas da coragem que habita em mim. Quando as olho, percebo que também para mim, um dia se fez luz, mesmo que antes tivesse sido escuridão.
Não sei acreditar sempre, não o quero, desejo continuar a duvidar, para depois descobrir por mim, aquilo em que preciso ou não de acreditar. Se cair no fundo do precipício, agarrar-me-ei a mim, subirei pela minha força, firme ou vacilante, quando conseguir, perceberei que também os criadores de sentimentos melhores estavam lá a espicaçar-me, a ralhar, a resmungar, para depois me sorrirem.



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