As estrelas
daquela rua… I
Na rua onde te encontrei as estrelas tinham outro brilho. Em nenhum
outro lugar se igualam. Cada uma tinha uma história para contar, histórias que
apreciaram do excelso da sua morada. Qual delas contaria a nossa? A mais terna,
a mais racional, a mais perspicaz ou a mais sonhadora…? Algum dia reparaste que
quando o sol chega, ficam discretamente atentas às encruzilhadas das histórias,
em tanto iguais à nossa? Perplexas com a incapacidade que temos em amparar histórias
desejadas e sustentadas, que repentinamente se desfazem, tal castelos de areia
construídos em dias solarengos. E olham-nos, censurando as nossas
controvérsias, os nossos silêncios, as nossas incertezas, a nossa entrega à desistência,
como absolvição da fuga ao temerário. E pensam que buscámos, encontrámos,
elevámos e não soubemos proteger. Enganam-se, se pensam que a construção desta
história foi pautada pela ausência de sentimento, de partilha, de planeamento
de vivências futuras.
Despretensão à parte, estrelas, acho que momentos houve, em que até
nos superámos perante os infortúnios, que são peças integrantes das histórias.
Um dia, a obscuridade do inesperado enredo alheio, tomou conta de pedaços da
história construída, suplantando ilegitimamente os desejos planeados. Afinal onde
se escondeu a resoluta determinação de não permitirmos a existência de tais
enredos maléficos? Hoje, o tempo que passou, e as vidas feitas de
aprendizagens, possibilitam-nos elucidações onde encontramos algumas respostas
para partilhar com as estrelas da rua onde também me encontraste, e nos
olhamos, para nos vermos. Talvez elas ainda lá estejam a brilhar, como em
nenhum outro lugar.

