terça-feira, 5 de julho de 2016

Naquela rua



As estrelas daquela rua…  I
Na rua onde te encontrei as estrelas tinham outro brilho. Em nenhum outro lugar se igualam. Cada uma tinha uma história para contar, histórias que apreciaram do excelso da sua morada. Qual delas contaria a nossa? A mais terna, a mais racional, a mais perspicaz ou a mais sonhadora…? Algum dia reparaste que quando o sol chega, ficam discretamente atentas às encruzilhadas das histórias, em tanto iguais à nossa? Perplexas com a incapacidade que temos em amparar histórias desejadas e sustentadas, que repentinamente se desfazem, tal castelos de areia construídos em dias solarengos. E olham-nos, censurando as nossas controvérsias, os nossos silêncios, as nossas incertezas, a nossa entrega à desistência, como absolvição da fuga ao temerário. E pensam que buscámos, encontrámos, elevámos e não soubemos proteger. Enganam-se, se pensam que a construção desta história foi pautada pela ausência de sentimento, de partilha, de planeamento de vivências futuras.
Despretensão à parte, estrelas, acho que momentos houve, em que até nos superámos perante os infortúnios, que são peças integrantes das histórias. Um dia, a obscuridade do inesperado enredo alheio, tomou conta de pedaços da história construída, suplantando ilegitimamente os desejos planeados. Afinal onde se escondeu a resoluta determinação de não permitirmos a existência de tais enredos maléficos? Hoje, o tempo que passou, e as vidas feitas de aprendizagens, possibilitam-nos elucidações onde encontramos algumas respostas para partilhar com as estrelas da rua onde também me encontraste, e nos olhamos, para nos vermos. Talvez elas ainda lá estejam a brilhar, como em nenhum outro lugar.


           




domingo, 3 de julho de 2016

Há dias assim !



Há dias assim!
 Daqueles em que os pensamentos embatem constantemente em nós. Pensamentos que nos obrigam a ponderar meticulosamente cada palavra que pensamos usar no que temos para dizer. E na hora exata se ocultam. De que vale então o desgaste do ensaio? Afinal o que acabamos por dizer em nada se compara ao ensaio antecipadamente definido pelo pensamento.
Há dias assim, em que persiste o silêncio, em que o longe se distancia teimosamente, em que alguém não compreende as nossas palavras, em que nos perdemos na busca de nós próprios.
 Há dias assim, e desejas ter as asas de uma borboleta, a varinha de condão de uma fada, e construíres a tua história. Com ou sem castelo.
Há dias assim, em que aprendes a crescer um pouco mais, para que não te acuses de falhar no tempo que perdeste, na busca do que não valia a pena. Há dias assim, daqueles que trazem em nós, a certeza de não querermos mais a metade, a fuga à verdade, a quebra da confiança, o despego dos pequenos detalhes, o falso filantropismo. Viesse o consentimento até nós, permitir-nos a troca de dias assim, por dias de sorrisos abertos, verdades cristalinas, trocas despretensiosas, palavras descomplicadas, gestos ainda que infantis, verdadeiros e puros.
Mas ainda assim, haveria dias de silêncios, de falhas, de recusas, de incertezas, de inconsciência absurda, dias que embaraçam os pensamentos. E os pensamentos constroem enxovias, para nos (des)protegerem.

Há dias assim! 

                                                                                                                                           14/11/2015

                                                                                                                                         

sábado, 2 de julho de 2016

Apenas um esboço…mim



Os braços levantados em sinal de vida, tantas vezes pendentes, pela força da desilusão, da dor, do destino. Busco a cada dia aquilo que ainda não achei, e se dias houve em que encontrei, esgueirou-se, com ou sem consentimento. Fiquei à espera que o desassossego me levantasse, mas ele deixou-me prostrada, ainda com menos forças.
Todos os que me olham como se avistassem o muro de Berlim ou a Muralha da china, lembrai-vos que o muro um dia caiu, a muralha ainda lá está, mas não é já a mesma, sofreu alterações, com o passar do tempo. A todos aqueles que me olham de soslaio, julgando-me débil, desenganem-se, a minha debilidade, é só feita de cansaço, de repleção de más intenções, de iniquidades, de maldades, de um destino que por vezes é demasiado castigador das intenções.
Não quero de vós lamentos obsoletos, quero contemplação quando eu, depois de cair, me levantar. Dizei então que também eu, mesmo perdendo um conflito, não desisti da contenda, não virei as costas às arduidades. Dizei que cai, sim cai, não só uma vez, todavia levantei-me, não sempre com a mesma segurança e coragem, quantas vezes agarrada só a mim, muitas outras, à força que vem dos distintos acompanhantes que a vida tem colocado ao meu lado. Alguns limitam-se presenciar de camarote, de seguida partem, não deixam lembranças, saem da minha história, para céu-aberto da minha alma. Não lamento estas perdas, sinto que deixam um lugar para ser ocupado, por criadores de sentimentos melhores.
Faço o meu caminho de tropeções, quedas, de feridas, de sangue, para depois as curar. Se ficam cicatrizes, são as testemunhas da coragem que habita em mim. Quando as olho, percebo que também para mim, um dia se fez luz, mesmo que antes tivesse sido escuridão.
Não sei acreditar sempre, não o quero, desejo continuar a duvidar, para depois descobrir por mim, aquilo em que preciso ou não de acreditar. Se cair no fundo do precipício, agarrar-me-ei a mim, subirei pela minha força, firme ou vacilante, quando conseguir, perceberei que também os criadores de sentimentos melhores estavam lá a espicaçar-me, a ralhar, a resmungar, para depois me sorrirem.



Sobre mim.


É tão fácil, quanto difícil dizer quem sou. Gosto de coisas simples e de pessoas que valorizam a amizade. Dizem-me, alguns ,uma pessoa complexa e demasiado reflexiva. Na verdade não me limito a olhar, gosto de ver, questionar, pensar, concluir. A família e os amigos são para mim bens preciosos, sem os quais não concebo a vida.

Não me defino por completo já, vou-o fazendo.